terça-feira, 7 de abril de 2020

Constelação Familar: As leis do amor e o perdão como prática de liberdade



Bert Hellinger estabeleceu três leis fundamentais – chamadas Ordens do Amor - como base para a sua teoria sobre Constelações Familiares.  A primeira lei, do pertencimento, indica que todo indivíduo tem direito a pertencer, está relacionada às raízes, aos vínculos; a segunda lei – hierarquia - refere-se à ordem de chegada no sistema familiar; a terceira, equilíbrio, relaciona-se às trocas, ao dar e receber.
A desatenção a essas leis fundamentais ou até mesmo a violação das mesmas ocasiona compensações nos indivíduos gerando repetições de padrões de comportamento. O mais interessante na concepção de Hellinger é que essas compensações podem ocorrer independentemente da cronologia: afeta membros encarnados e desencarnados. O sofrimento encontra-se no presente, porém está profundamente conectado a algo anterior (inclusive em outras gerações).
Inúmeras dificuldades de relacionamento são oriundas dessa “lealdade sistêmica” (relacionada à lei de pertencimento), uma necessidade inconsciente de honrar os ancestrais. A Constelação Familiar evidencia que estamos inseridos em um macro contexto no qual absolutamente todos os membros (presentes, ausentes, maus, bons, equivocados ou não, bem intencionados ou não) têm papel fundamental.
Podemos elencar uma série de situações onde é possível observar os efeitos nocivos desse comportamento (algo consciente ou inconsciente que atua e causa sofrimento) nas relações familiares. A efeito desse espaço, vou deter minha análise nas consequências do não perdão.
As repercussões causadas pelo não perdão (resistência, dificuldade ou incapacidade de perdoar a si mesmo e aos demais) são capazes de gerar efeitos nas funções emocionais e psíquicas, tais como: concentração, memória, inteligência, afetividade, etc. A desorganização da estrutura psíquica pode ainda gerar outros sentimentos nocivos como a culpa, o ressentimento, o rancor, etc. podendo, inclusive, levar a quadros de depressão.
Muitas vezes, esses sentimentos estão no inconsciente e precisam ser trazidos à tona para serem sanados. A manifestação de transtornos emocionais e psíquicos podem originar alterações somáticas/ biológicas ocasionando doenças no corpo físico. Por tanto, é fundamental exercitar a autoconsciência – capacidade de conhecer as próprias emoções – a fim de garantir a saúde mental, emocional e física.
Cristina Cairo, através de um estudo sobre a linguagem do corpo, analisa a relação entre as emoções e os sentimentos e inúmeros casos de doenças. Nos livros Linguagem do Corpo (volumes I, II e II), a autora afirma que muitas doenças e até mesmo o formato do corpo são gerados por emoções e crenças.
Através de uma sessão de Constelação Familiar, por exemplo, é possível trazer à luz o que está oculto nos relacionamentos evidenciando, assim, a relação profunda entre os membros de uma família ou outro sistema qualquer.
Perdoar e perdoar-se, então, significa libertar ou libertar-se de algo, abrir mão, deixar ir. Significa, de modo mais amplo, recuperar o controle e o poder sobre a própria vida. Ao perdoar liberamos o peso das frustrações e das expectativas não atendidas, dando espaço para relacionamentos saudáveis e novas experiências.
As sessões de Constelação Familiar possibilitam o restabelecimento das Ordens do Amor desfazendo emaranhamentos e permitindo que o amor flua de forma consciente e harmoniosa nas relações. O fluir do amor, nesse caso não significa que relacionamentos precisem ser mantidos ou reestabelecidos, (o fim de um casamento, uma amizade, um namoro, etc.), mas permite que se restaure ou recupere a ordem através do respeito e da empatia, dando lugar à hierarquia, ao pertencimento e ao equilíbrio.
Uma vez reestabelecidas as Ordens – tal qual definidas por Hellinger - é possível que os indivíduos estabeleçam novos relacionamentos sem o peso da dor originada por relacionamentos anteriores. A tomada de consciência sobre o papel de cada pessoa que passa pelas nossas vidas e uma nova percepção sobre os fatos e acontecimentos passados é inevitável.
Para concluir esse processo, exercitar a gratidão pelas experiências vividas e pelos atores (familiares, cônjuges, amigos, colegas, etc.) que nos acompanham em nosso processo evolutivo pode ser libertador.






Nenhum comentário:

Postar um comentário