Bert Hellinger
estabeleceu três leis fundamentais – chamadas Ordens do Amor - como base para a
sua teoria sobre Constelações Familiares. A primeira lei, do pertencimento, indica que
todo indivíduo tem direito a pertencer, está relacionada às raízes, aos
vínculos; a segunda lei – hierarquia - refere-se à ordem de chegada no sistema
familiar; a terceira, equilíbrio, relaciona-se às trocas, ao dar e receber.
A desatenção a essas
leis fundamentais ou até mesmo a violação das mesmas ocasiona compensações nos
indivíduos gerando repetições de padrões de comportamento. O mais interessante
na concepção de Hellinger é que essas compensações podem ocorrer independentemente
da cronologia: afeta membros encarnados e desencarnados. O sofrimento
encontra-se no presente, porém está profundamente conectado a algo anterior
(inclusive em outras gerações).
Inúmeras dificuldades de relacionamento são oriundas dessa “lealdade
sistêmica” (relacionada à lei de pertencimento), uma necessidade inconsciente
de honrar os ancestrais. A Constelação Familiar evidencia que estamos inseridos
em um macro contexto no qual absolutamente todos os membros (presentes,
ausentes, maus, bons, equivocados ou não, bem intencionados ou não) têm papel
fundamental.
Podemos elencar uma série de situações onde é possível observar os
efeitos nocivos desse comportamento (algo consciente ou inconsciente que atua e
causa sofrimento) nas relações familiares. A efeito desse espaço, vou deter
minha análise nas consequências do não perdão.
As repercussões causadas pelo não perdão (resistência, dificuldade ou
incapacidade de perdoar a si mesmo e aos demais) são capazes de gerar efeitos
nas funções emocionais e psíquicas, tais como: concentração, memória, inteligência,
afetividade, etc. A desorganização da estrutura psíquica pode ainda gerar
outros sentimentos nocivos como a culpa, o ressentimento, o rancor, etc.
podendo, inclusive, levar a quadros de depressão.
Muitas vezes, esses sentimentos estão no inconsciente e precisam ser
trazidos à tona para serem sanados. A manifestação de transtornos emocionais e
psíquicos podem originar alterações somáticas/ biológicas ocasionando doenças
no corpo físico. Por tanto, é fundamental exercitar a autoconsciência –
capacidade de conhecer as próprias emoções – a fim de garantir a saúde mental,
emocional e física.
Cristina Cairo, através de um estudo sobre a linguagem do corpo, analisa
a relação entre as emoções e os sentimentos e inúmeros casos de doenças. Nos
livros Linguagem do Corpo (volumes I, II e II), a autora afirma que muitas
doenças e até mesmo o formato do corpo são gerados por emoções e crenças.
Através de uma sessão de Constelação Familiar, por
exemplo, é possível trazer à luz o que está oculto nos relacionamentos
evidenciando, assim, a relação profunda entre os membros de uma família ou
outro sistema qualquer.
Perdoar e perdoar-se, então, significa libertar ou libertar-se de algo,
abrir mão, deixar ir. Significa, de modo mais amplo, recuperar o controle e o
poder sobre a própria vida. Ao perdoar liberamos o peso das frustrações e das
expectativas não atendidas, dando espaço para relacionamentos saudáveis e novas
experiências.
As sessões de Constelação Familiar possibilitam o restabelecimento das
Ordens do Amor desfazendo emaranhamentos e permitindo que o amor flua de forma
consciente e harmoniosa nas relações. O fluir do amor, nesse caso não significa
que relacionamentos precisem ser mantidos ou reestabelecidos, (o fim de um
casamento, uma amizade, um namoro, etc.), mas permite que se restaure ou
recupere a ordem através do respeito e da empatia, dando lugar à hierarquia, ao
pertencimento e ao equilíbrio.
Uma vez reestabelecidas as Ordens – tal qual definidas por Hellinger - é
possível que os indivíduos estabeleçam novos relacionamentos sem o peso da dor
originada por relacionamentos anteriores. A tomada de consciência sobre o papel
de cada pessoa que passa pelas nossas vidas e uma nova percepção sobre os fatos
e acontecimentos passados é inevitável.
Para concluir esse processo, exercitar a gratidão pelas experiências
vividas e pelos atores (familiares, cônjuges, amigos, colegas, etc.) que nos
acompanham em nosso processo evolutivo pode ser libertador.
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