Benefícios da Constelação Familiar
para Professores de Línguas Estrangeiras
Um
professor de Línguas Estrangeiras, além de ensinar a língua propriamente dita,
ensina também os códigos culturais vigentes entre os falantes nativos dessas
línguas e seus referidos países. Não se trata somente ou simplesmente de ensinar
conteúdos linguístico-gramaticais, mas de mostrar as formas de viver e
interagir através dessas línguas. O professor de línguas pode ser considerado
um embaixador da língua que ensina, uma vez que é o representante dessa língua
e dessa cultura em sala de aula e na comunidade escolar.
Nesse
sentido, a Constelação Familiar constitui um importante aliado do professor.
Além das três leis definidas por Bert Hellinger (hierarquia, pertencimento e equilíbrio),
a abordagem sistêmica nos leva a ver o ensino de outras línguas de maneira
global considerando o histórico de ensino desses idiomas no país, a relação do
Brasil com os países onde essas línguas são oficiais, a importância dessas
línguas no contexto geo-político, os falantes nativos e a produção
histórico-cultural dos mesmos, etc. São inúmeros fatores, todos em congruência
com o pensamento sistêmico proposto por Hellinger.
Com
a leitura do livro “Constelações Familiares” de Hellinger e Höver é possível perceber que as ordens do amor
relacionam-se diretamente com estados da consciência humana. Essas ordens dão
origem a conflitos e desordens que se manifestam através de comportamentos
indesejados. Para qualquer professor, ao ler todo esse material sobre
Constelações Familiares, é possível relacionar com a realidade observada em
nossas salas de aula.
Lançando
mão desse conhecimento e relacionando-o à nossa prática pedagógica, podemos
inferir que a relação da família com a escola influi diretamente no processo de
aprendizagem de nossos alunos (observável mais facilmente se atentarmos à lei
de pertencimento). O sucesso ou insucesso na educação do país pode ser
analisado a partir da relação que mantemos com a história da educação e ao
lugar que damos (ou não) aos educadores que mais influenciaram o conhecimento
científico no país. Trata-se de reconhecer o papel de cada um e respeitá-lo
(lei da hierarquia).
Sobre
os papéis que cada um desempenha no “sistema”, destaca-se a necessidade de
equilíbrio (terceira lei) entre as trocas e responsabilidades compartilhadas
entre cada membro do grupo. Como parte integrante de um mesmo e grande sistema,
estamos interconectados. Essa situação é denominada por Hellinger como
consciência de grupo ou consciência de clã. É importante destacar que formam
parte deste clã todos os integrantes da família, inclusive os mortos.
Em
qualquer discussão ou debate sobre educação, a família tem papel fundamental,
haja vista a teoria sobre memória e lealdade desenvolvida por Hellinger. Da
leitura e estudo realizados até o momento, desprende-se que muitos dos
conflitos existentes nas relações interpessoais devem-se a uma memória familiar
compartilhada inclusive com gerações anteriores e antepassados. Essa memória,
quando não resolvidos os conflitos e embates familiares, pode gerar repetições
de comportamento que podem indicar uma espécie de lealdade a um familiar (ainda
que de gerações diferentes). Por conflitos e embates familiares refiro-me ao
sentimento de não pertença e ausência de vínculos (primeira lei), desatenção à
precedência (segunda lei) e/ ou desequilíbrio nas relações (terceira lei).
Hellinger define essa situação como emaranhamento (quando alguém na família
assume ou revive inconscientemente o destino de algum familiar que viveu antes
dele).
Uma
possibilidade de aplicação da Constelação Familiar nas aulas de Línguas
Estrangeiras, bem como nos demais componentes do Currículo Escolar, é a
observação – através de diagnóstico - da relação entre a família e a escola.
Uma vez realizada essa observação, será possível entender muitos aspectos
comportamentais dos alunos e, então, será possível planejar a intervenção.
Incluir conteúdos e atividades que propiciem a valorização da história do
bairro e da cidade, a contribuição dos cidadãos e dos familiares fortalecerá os
laços entre escola e família. Essa seria também uma forma de ensinar a
necessidade de honrar nossos antepassados, valorizando o que nos precedeu e
retribuindo tudo o que recebemos.
HELLINGER, Bert; TEN HÖVEL, Gabriele. Constelações familiares o reconhecimento das ordens do amor: Conversas sobre emaranhamentos e soluções. Trad. Eloísa Giancoli Tironi, Tsuyuko Jinno-Spelter. São Paulo: Cultrix, 2007.
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