domingo, 5 de abril de 2020

Constelação Familiar e Sistêmica: Benefícios da CFS para professores de Línguas Estrangeiras


Benefícios da Constelação Familiar para Professores de Línguas Estrangeiras
Um professor de Línguas Estrangeiras, além de ensinar a língua propriamente dita, ensina também os códigos culturais vigentes entre os falantes nativos dessas línguas e seus referidos países. Não se trata somente ou simplesmente de ensinar conteúdos linguístico-gramaticais, mas de mostrar as formas de viver e interagir através dessas línguas. O professor de línguas pode ser considerado um embaixador da língua que ensina, uma vez que é o representante dessa língua e dessa cultura em sala de aula e na comunidade escolar.
Nesse sentido, a Constelação Familiar constitui um importante aliado do professor. Além das três leis definidas por Bert Hellinger (hierarquia, pertencimento e equilíbrio), a abordagem sistêmica nos leva a ver o ensino de outras línguas de maneira global considerando o histórico de ensino desses idiomas no país, a relação do Brasil com os países onde essas línguas são oficiais, a importância dessas línguas no contexto geo-político, os falantes nativos e a produção histórico-cultural dos mesmos, etc. São inúmeros fatores, todos em congruência com o pensamento sistêmico proposto por Hellinger.
Com a leitura do livro “Constelações Familiares” de Hellinger e Höver é possível perceber que as ordens do amor relacionam-se diretamente com estados da consciência humana. Essas ordens dão origem a conflitos e desordens que se manifestam através de comportamentos indesejados. Para qualquer professor, ao ler todo esse material sobre Constelações Familiares, é possível relacionar com a realidade observada em nossas salas de aula.
Lançando mão desse conhecimento e relacionando-o à nossa prática pedagógica, podemos inferir que a relação da família com a escola influi diretamente no processo de aprendizagem de nossos alunos (observável mais facilmente se atentarmos à lei de pertencimento). O sucesso ou insucesso na educação do país pode ser analisado a partir da relação que mantemos com a história da educação e ao lugar que damos (ou não) aos educadores que mais influenciaram o conhecimento científico no país. Trata-se de reconhecer o papel de cada um e respeitá-lo (lei da hierarquia).
Sobre os papéis que cada um desempenha no “sistema”, destaca-se a necessidade de equilíbrio (terceira lei) entre as trocas e responsabilidades compartilhadas entre cada membro do grupo. Como parte integrante de um mesmo e grande sistema, estamos interconectados. Essa situação é denominada por Hellinger como consciência de grupo ou consciência de clã. É importante destacar que formam parte deste clã todos os integrantes da família, inclusive os mortos.
Em qualquer discussão ou debate sobre educação, a família tem papel fundamental, haja vista a teoria sobre memória e lealdade desenvolvida por Hellinger. Da leitura e estudo realizados até o momento, desprende-se que muitos dos conflitos existentes nas relações interpessoais devem-se a uma memória familiar compartilhada inclusive com gerações anteriores e antepassados. Essa memória, quando não resolvidos os conflitos e embates familiares, pode gerar repetições de comportamento que podem indicar uma espécie de lealdade a um familiar (ainda que de gerações diferentes). Por conflitos e embates familiares refiro-me ao sentimento de não pertença e ausência de vínculos (primeira lei), desatenção à precedência (segunda lei) e/ ou desequilíbrio nas relações (terceira lei). Hellinger define essa situação como emaranhamento (quando alguém na família assume ou revive inconscientemente o destino de algum familiar que viveu antes dele).
Uma possibilidade de aplicação da Constelação Familiar nas aulas de Línguas Estrangeiras, bem como nos demais componentes do Currículo Escolar, é a observação – através de diagnóstico - da relação entre a família e a escola. Uma vez realizada essa observação, será possível entender muitos aspectos comportamentais dos alunos e, então, será possível planejar a intervenção. Incluir conteúdos e atividades que propiciem a valorização da história do bairro e da cidade, a contribuição dos cidadãos e dos familiares fortalecerá os laços entre escola e família. Essa seria também uma forma de ensinar a necessidade de honrar nossos antepassados, valorizando o que nos precedeu e retribuindo tudo o que recebemos.

Referência
HELLINGER, Bert; TEN HÖVEL, Gabriele. Constelações familiares o reconhecimento das ordens do amor: Conversas sobre emaranhamentos e soluções. Trad. Eloísa Giancoli Tironi, Tsuyuko Jinno-Spelter. São Paulo: Cultrix, 2007.

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